Conto: Morto-vivo Tinha uma auxiliar de serviços gerais na empresa. Creuza. Era daquelas pessoas sorridentes, alegres, tinha inteligência e perspicácia que logo se notava. E era feia, muito feia. Aquela feiura que a gente acostuma e que se camufla pelo bom papo e alto astral. Era alta, muito magra, curvada. O rosto tinha formato diferente de todas as possibilidades comuns, como se fosse uma anomalia - mistura de quadrado e retangular, e largo. Olhos muito espertos e vigilantes, sempre curiosos, harmônicos. Nariz delicado, sempre arrebitado enquanto andava. E tinha sardas. A boca afundava no maxilar que era exageradamente pra frente. Seu bom humor sempre presente nos aproximou. Sempre que possível, almoçávamos ou lanchávamos juntas. Papeávamos até. Falava em namoros, pretendentes e sobre seus planos de futuro de ser bem sucedida profissionalmente. Ela também tinha algo de misterioso, parecendo coisa de quem é observador e crítico demais. A empresa era num shopping e certa vez, enquanto...